Desbravador das palavras, poeta!

Por que não desperta em mim o dom do poeta, que em poucas palavras revela o que há de mais profundo no ser humano, retira do céu nublado o mais belo arco-íris e tempera com imensa habilidade os momentos sem gosto do viver, malabarista das palavras, sábio brincalhão dos sentidos, que admiro do interior de minha alma.

E enquanto não acordo para a realidade poética, batalho para conectar-me a longínqua fonte do sentimento, no entanto ainda preciso de um barco para chegar lá.

As coisas somem sem explicação!

Hoje eu sonhei com coisas boas.
E foi incrível!
Tanto o sonho, quanto a horrível sensação de abrir os olhos e descobrir que eu fui mais uma vez enganada.
Tive a impressão te ter deixado escapar algo que podia ser real e não é.
Senti raiva porque pela realidade fui roubada!
E ninguém poderá processá-la.

Real? Ideal? Ou seria atual?

Estou preso a grilhões em um mundo real,
mas sinto, sinto que meu coração não é daqui
a sensação de nostalgia daquilo que não vivi
me reporta a um mundo de sonhos, um mundo ideal.

Um mundo sem limite e sem pudores,
mas consciente do seu estado natural
que vive do fruto do seu sentimento
sem contrariar o que é racional

Imploro-te em silêncio
pelo meu acalento,
buscando encontrar a felicidade
em plena vida

Pois nada melhor
que a insana utopia,
se tornar essência
de um mundo atual

Salve enquanto pode!

Que fato trágico! Horas de trabalho desperdiçados, por não salvar o arquivo que digitava.

Por que ficamos com raiva quando isto acontece? Por que colocamos a culpa no computador que travou, na energia que faltou ou no desavisado que fechou o editor de texto sem salvar? Se a culpa é nossa, já que fomos omissos em não guardar o que era importante para nós.

Juntando este acontecimento e esta frase de Gibran “Pois assim tem sido sempre com o amor: ele só conhece a sua profundidade na hora da separação” descobri que só nos lembramos de salvar quando já é tarde demais, salvar aquele belo entardecer, as gotas da chuva em nosso rosto, uma boa conversa e até mesmo aquele arquivo que começamos a digitar a cinco minutos atrás.

Falando nisso, deixe eu salvar este arquivo.

Salve enquanto pode, porque nem sempre terá tempo para redigitar o que foi perdido.